CEE/PR debate impactos do cigarro eletrônico entre adolescentes e reforça papel da escola na prevenção 14/09/2026 - 13:25

O crescimento do uso de cigarros eletrônicos entre adolescentes foi tema de debate na 21ª Sessão Plenária do Conselho Estadual de Educação do Paraná (CEE/PR), que recebeu a professora Sílvia Regina Valderramas, da Universidade Federal do Paraná (UFPR), para apresentar o estudo “Cigarro Eletrônico e a Saúde dos Adolescentes do Paraná – Cesapar”. A pesquisa busca produzir evidências sobre o uso dos dispositivos entre estudantes da rede pública estadual e seus impactos na saúde.

Segundo a apresentação, o cigarro eletrônico já representa um desafio para a saúde e para o ambiente escolar. Entre os pontos de atenção estão a exposição dos adolescentes à nicotina, possíveis impactos sobre concentração, memória, aprendizado, frequência e rendimento escolar, além de efeitos sobre a função pulmonar e a capacidade cardiorrespiratória. Sobre isso, a professora destacou a lesão pulmonar associada ao uso de cigarros eletrônicos e vaporizadores (Evali — E-cigarette or Vaping product use-Associated Lung Injury) como uma das condições relacionadas ao uso de vapes e cigarros eletrônicos.

O estudo reforça que o enfrentamento do problema passa pela atuação conjunta das áreas de Educação e Saúde, envolvendo gestores, professores, estudantes e famílias. Entre as possibilidades apresentadas estão o fortalecimento das ações de promoção da saúde já desenvolvidas nas escolas, a formação de profissionais, a produção de materiais educativos e a ampliação do diálogo com as famílias e com as redes municipais de ensino. 

A pesquisa também aponta a importância de estratégias educativas participativas, que promovam o conhecimento, o diálogo e o protagonismo dos adolescentes. Nesse sentido, o ambiente escolar pode contribuir para a prevenção por meio de ações contínuas de educação em saúde. A proposta é transformar conhecimento científico em informação acessível e ações educativas capazes de apoiar estudantes, famílias e profissionais diante de um problema que ultrapassa os limites da sala de aula.

Na ocasião, o Presidente do CEE/PR, João Carlos Gomes, defendeu a utilização da ciência como base para a construção de políticas públicas. “A escola é um espaço fundamental de prevenção e de formação. Quando um problema de saúde impacta diretamente a aprendizagem e o cotidiano dos estudantes, ele também passa a ser uma questão educacional. Precisamos aproximar a ciência da escola, transformar os resultados das pesquisas em informação e materiais educativos e fortalecer o trabalho conjunto entre Educação, Saúde, famílias e comunidade. O enfrentamento do cigarro eletrônico exige conhecimento, prevenção e diálogo, especialmente com nossos adolescentes”, destacou ele, propondo a elaboração de um documento orientador e educativo destinado aos estudantes e famílias, bem como a possibilidade de ampliar a divulgação da pesquisa para associações de municípios e redes de ensino.