Educação humanizada é destaque em palestra no CEE/PR 24/08/2026 - 13:09
O Conselho Estadual de Educação do Paraná (CEE/PR) recebeu, na manhã de 24 de agosto, o Prof. Dr. César Aparecido Nunes para uma reflexão sobre os caminhos da educação brasileira, sua trajetória histórica e os desafios contemporâneos para a construção de uma escola mais humana, inclusiva e democrática.
Realizada durante a 7.ª Reunião Ordinária do CEE/PR, a palestra teve como tema “Educação, Cultura e Humanização: a Educação como direito e os direitos de aprendizagem na escola democrática”. A proposta foi apresentar um panorama histórico da educação brasileira e, ao mesmo tempo, sensibilizar para a necessidade de humanizar os processos educacionais, fortalecendo o interesse dos estudantes pela aprendizagem e sua permanência na escola.
Ao percorrer diferentes períodos da história da educação brasileira, César Nunes destacou as transformações pelas quais passou a concepção de educação no país. Em sua abordagem, apresentou três grandes momentos: a educação como cultura fundamental, da atuação dos jesuítas até 1930; a educação associada ao mérito, de 1930 até a Constituição Federal de 1988; e, a partir da Constituição Cidadã, a educação entendida como direito, como preconiza o artigo 205 da Constituição Federal, que estabelece a educação como direito de todos e dever do Estado e da família, promovida e incentivada com a colaboração da sociedade.
A reflexão histórica também passou pelas diferentes concepções de escola e pelas relações entre educação, trabalho, desenvolvimento econômico e organização social. Ao abordar esse percurso, o palestrante chamou a atenção para a necessidade de compreender criticamente a história para ser possível transformar a educação no presente.
Um dos pontos centrais da palestra foi a defesa de uma educação que não reduza o estudante à realização de provas ou ao cumprimento de metas. Para César Nunes, a escola precisa preparar o aluno de maneira integral, considerando suas dimensões humanas, sociais, culturais e subjetivas.
Segundo ele, “humanizar é educar”. E essa foi a ideia central apresentada durante o encontro. O professor defendeu que a escola seja também um espaço de acolhimento, convivência e construção da cidadania.
A escola pública, segundo a reflexão apresentada, deve ser compreendida como um espaço de construção democrática, recriado a cada geração, uma vez que a própria democracia depende de processos educativos capazes de formar sujeitos conscientes de seus direitos e responsabilidades.
Ao compartilhar aspectos de sua própria trajetória, desde a infância em um sítio no interior do Paraná até sua formação acadêmica, o professor destacou o papel da educação em sua própria mobilidade social. A experiência pessoal ajudou a dar concretude à discussão sobre a capacidade transformadora do conhecimento.
A mensagem da palestra se conecta diretamente ao papel da educação como instrumento de ampliação de oportunidades. Aprender não significa apenas acumular conteúdos, mas desenvolver possibilidades, ampliar horizontes, fortalecer a autonomia e permitir que cada pessoa participe de maneira mais plena da sociedade.
Por isso, a garantia do direito à aprendizagem precisa caminhar junto com o direito de cada estudante de se sentir pertencente à escola. “Esta, é o primeiro espaço de relação social e o sucesso escolar pode constituir um importante ponto de partida para o futuro”, afirmou o professor.
Outro aspecto destacado foi o impacto das transformações tecnológicas e sociais sobre as relações humanas. César Nunes chamou atenção para o processo de redução do caráter humano, criativo e subjetivo das relações, especialmente diante do avanço da tecnologia e da plataformização da vida.
Nesse contexto, defendeu que a educação precisa fazer parte da vida, e não apenas do sistema. A relação humana deve estar no centro do processo educativo, antecedendo os instrumentos, as metodologias e as tecnologias.
A reflexão ganha especial relevância diante dos desafios atuais da educação, incluindo a presença crescente da Inteligência Artificial. Para o professor, não basta incorporar novas tecnologias ao ensino: é necessário garantir que a inovação esteja acompanhada de uma educação que humanize, acolha e inclua.
A palestra também abordou as mudanças sociais e familiares que repercutem diretamente no cotidiano escolar e ressaltou a necessidade de olhar especialmente para os estudantes que vivem em situações de maior vulnerabilidade.
Nesse sentido, o professor defendeu uma educação comprometida com os direitos sociais e educacionais e destacou iniciativas de inclusão, como o ensino de Libras para estudantes no município de Apucarana. Também ressaltou a importância dos Planos Nacional, Estaduais e Municipais de Educação como espaços de construção coletiva das políticas educacionais.
Ao final, César Nunes reforçou uma mensagem de confiança na capacidade humana de aprender: “todos são aptos a aprender e o saber está no método”. A afirmação sintetiza uma concepção de educação que desloca o foco da limitação do estudante para a responsabilidade da escola em encontrar caminhos para que a aprendizagem aconteça.
De acordo com o Presidente do CEE/PR, João Carlos Gomes, a realização da palestra contribuiu para ampliar a reflexão dos Conselheiros e servidores sobre a história da educação brasileira e sobre os desafios para a construção de uma educação mais humanizada e inclusiva.
“Mais do que revisitar a história, o encontro reforçou uma convicção que permanece atual: educar é abrir caminhos. Caminhos para o conhecimento, para a autonomia, para a cidadania, para a inclusão e para a transformação das condições de vida”, frisou João Carlos Gomes.
Ao reafirmar a educação como direito, o debate também reafirma uma responsabilidade coletiva: garantir que cada criança, adolescente, jovem ou adulto encontre na escola não apenas um lugar para aprender conteúdos, mas um espaço para descobrir possibilidades, construir sua identidade, desenvolver seus talentos e participar da construção de uma sociedade mais democrática.
Nesse sentido, a educação deixa de ser apenas uma etapa da vida e passa a ser compreendida como uma força permanente de transformação — de pessoas, de comunidades e do próprio país.






