NAPI Paraná Faz Ciência fortalece cultura científica nas escolas 22/06/2026 - 09:27
O Conselho Estadual de Educação do Paraná (CEE/PR) recebeu, durante sua 5ª Reunião Ordinária, a apresentação do NAPI Paraná Faz Ciência, uma das mais importantes iniciativas de articulação entre ensino superior, pesquisa científica e Educação Básica em desenvolvimento no Estado. A exposição foi conduzida pelos professores doutores Débora de Mello Gonçales Sant’Ana, da Universidade Estadual de Maringá (UEM) e Assessora da Fundação Araucária de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Estado do Paraná, e Rodrigo Arantes Reis, da Universidade Federal do Paraná (UFPR), que apresentaram os avanços, resultados e perspectivas do Programa.
Integrante da política dos Novos Arranjos de Pesquisa e Inovação (NAPIs), promovida pelo Governo do Paraná por meio da Fundação Araucária, o Paraná Faz Ciência foi criado com o propósito de fortalecer a cultura científica da população paranaense, aproximando a produção acadêmica da sociedade e incentivando a participação de estudantes e professores em atividades de investigação, inovação e divulgação científica.
O Programa surgiu da integração de duas iniciativas já consolidadas no Estado: o Programa Interinstitucional de Ciência Cidadã na Escola (PICCE) e o Conexão Ciência (C²). A partir dessa união, passou a atuar de forma ainda mais abrangente na promoção da alfabetização científica, da comunicação pública da ciência e da valorização do conhecimento produzido nas universidades e instituições de pesquisa do Paraná.
Durante a apresentação, Conselheiros e servidores do CEE/PR conheceram os principais eixos de atuação do programa, que tem como característica a construção de uma ampla rede colaborativa envolvendo instituições de ensino superior, pesquisadores, escolas, professores, estudantes e comunidades locais.
Atualmente, o NAPI Paraná Faz Ciência reúne 12 instituições públicas de ensino superior, mais de 110 pesquisadores, cerca de 480 bolsistas e mais de mil participantes diretos em suas ações, consolidando-se como uma das maiores iniciativas de popularização da ciência do país.
Um dos destaques do programa é o PICCE, que utiliza os princípios da ciência cidadã para inserir estudantes e professores no processo de construção do conhecimento científico. Por meio dessa metodologia, os participantes deixam de ser apenas receptores de informações e passam a atuar diretamente na investigação de problemas reais de seus territórios, em parceria com pesquisadores das universidades.
Para isso, foram desenvolvidos diversos protocolos de pesquisa que podem ser aplicados nas escolas, abordando temas de grande relevância social, ambiental e educacional. Entre eles estão estudos sobre qualidade da água, cobertura do solo, polinizadores, biodiversidade, prevenção ao uso de drogas, eficiência energética, desastres naturais, segurança no trânsito, fauna atropelada, monitoramento do mosquito Aedes aegypti, plantas medicinais e alimentação escolar, entre outros. Essas ações permitem que o conhecimento científico seja construído a partir da realidade vivenciada pelos próprios estudantes, tornando a aprendizagem mais significativa e conectada aos desafios contemporâneos.
Outro importante eixo apresentado foi a Rede de Clubes Paraná Faz Ciência, desenvolvida em parceria com a Secretaria de Estado da Educação (Seed). A iniciativa já reúne aproximadamente 290 clubes de ciências distribuídos em cerca de 250 escolas, envolvendo mais de seis mil estudantes, 300 professores, pesquisadores universitários e centenas de bolsistas. Além de estimular a investigação científica no ambiente escolar, a rede promove formação continuada para docentes, apoio ao desenvolvimento de projetos e incentivo à participação em eventos científicos.
A integração entre Educação Básica e ensino superior também se fortalece por meio da Rede de Feiras Paraná Faz Ciência, responsável pela articulação e qualificação das Feiras Científicas realizadas em diferentes regiões do Estado. A proposta busca ampliar as oportunidades para que estudantes apresentem suas pesquisas, compartilhem experiências e desenvolvam competências relacionadas à investigação, à comunicação e à inovação.
Nesse contexto, foi destacada a realização da Feira de Cultura Científica Paraná Faz Ciência (FECCI), que deverá reunir centenas de trabalhos desenvolvidos por estudantes e professores, promovendo o intercâmbio de conhecimentos e aproximando a comunidade da produção científica paranaense.
A apresentação também evidenciou o trabalho realizado pela Rede de Museus Paraná Faz Ciência, voltada ao fortalecimento dos espaços de divulgação científica, bem como as ações do Conexão Ciência, plataforma de comunicação pública responsável por divulgar pesquisas, projetos e resultados produzidos pelas Universidades Estaduais e Federais do Paraná por meio de reportagens, podcasts, vídeos, infográficos e outros conteúdos multimídia.
Na ocasião, foi ressaltado que iniciativas dessa natureza contribuem diretamente para o desenvolvimento de uma sociedade mais informada, participativa e preparada para os desafios do futuro, ao mesmo tempo em que aproximam a população do conhecimento científico produzido nas instituições públicas.
Para a Vice-presidente do CEE/PR, Conselheira Fátima Aparecida da Cruz Padoan, a apresentação evidenciou o potencial transformador da ciência quando integrada às políticas educacionais. “O Paraná Faz Ciência demonstra que a educação de qualidade passa, necessariamente, pelo fortalecimento da cultura científica. Quando universidades, escolas, pesquisadores, professores e estudantes trabalham de forma articulada, criam-se oportunidades concretas para o desenvolvimento do pensamento crítico, da criatividade e da capacidade de resolver problemas”, destacou.
Segundo ela, mais do que formar futuros cientistas, iniciativas como essa contribuem para a formação de cidadãos conscientes, capazes de compreender os desafios da sociedade contemporânea e participar ativamente da construção de soluções. “O Conselho Estadual de Educação valoriza ações que aproximam a ciência do cotidiano escolar e ampliam as oportunidades de aprendizagem para os estudantes”, afirmou a Vice-presidente.
A apresentação reforçou a importância da integração entre Ensino Superior e Educação Básica como estratégia para consolidar uma cultura científica permanente no Paraná, ampliando horizontes para estudantes e educadores e contribuindo para o desenvolvimento educacional, social e tecnológico do Estado.
Durante a apresentação, os palestrantes entregaram, para compor o acervo da Biblioteca do CEE/PR, o “Guia de Espaços de Divulgação Científica do Estado do Paraná”, que elenca os espaços destinados à divulgação científica para a sociedade, como centros e museus de ciências, planetários, parques, zoológicos, jardins botânicos e as ações itinerantes.
Foi entregue, também, o resumo executivo “Percepção Pública de CT&I no Paraná”, resultado da pesquisa sobre a Percepção Pública de Ciência, Tecnologia e Inovação (CT&I) no Paraná. Pela primeira vez, o estado dispõe de um levantamento sistemático, com representatividade estatística, capaz de revelar como os paranaenses se informam, quais temas despertam seu interesse, em que instituições confiam e de que forma se relacionam com a ciência e a tecnologia no dia a dia.
Com mais de 2.600 entrevistas realizadas em todas as mesorregiões do estado, a pesquisa oferece uma radiografia precisa e abrangente da percepção pública, com rigor metodológico e representatividade estatística. Dessa forma, os indicadores apresentados constituem um instrumento estratégico para a formulação, monitoramento e avaliação de políticas públicas, oferecendo subsídios valiosos para gestores, pesquisadores, comunicadores e educadores, permitindo alinhar ações às reais necessidades da população. Ao mesmo tempo, reforçam a importância de fortalecer a cultura científica como eixo de desenvolvimento econômico, social e regional.
De acordo com os professores doutores Débora de Mello Gonçales Sant’Ana e Rodrigo Arantes Reis, esta publicação reafirma o papel do Paraná como referência nacional em inovação ancorada em ciência e tecnologia, demonstrando a importância das ações estruturantes de financiamento, que ganharam novo impulso no atual governo – o primeiro na história do Paraná a destinar integralmente os recursos constitucionais para o financiamento de programas e projetos de CT&I.
A ideia é inspirar novas práticas de diálogo e integração entre setor produtivo acadêmico, setor produtivo empresarial e sociedade civil, consolidando um ecossistema de CT&I cada vez mais inclusivo e com impactos que ajudem, cada vez mais, a gerar desenvolvimento econômico e social para o Paraná.
















